ISABELA

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ISABELA

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A faixa 13, “Isabela”, do álbum colaborativo “para: todas que fingi amar (ptqfa)”, de Alee e Klisman, funciona como uma quase-despedida emocional dentro do projeto. Sendo a penúltima música, ela carrega o peso do reconhecimento dos erros, da imaturidade afetiva e da autossabotagem que atravessam o álbum inteiro. Aqui, o eu-lírico admite que prometeu demais, entregou de menos e acabou “poluindo” alguém que talvez só quisesse algo saudável.

Se você quer entender a letra de “Isabela”, precisa enxergar além das referências a sexo, dinheiro e “free day”. A música fala sobre culpa, orgulho e a incapacidade de sustentar uma relação estável quando o ego, o dinheiro e a impulsividade estão no centro da vida. O refrão repete: “Te fiz tanta promessa, eu só te poluí” — essa é a chave emocional da faixa.

“Se for saudável pra sua mente, eu só te deixo ir / Te fiz tanta promessa, eu só te poluí”

Logo na abertura, o narrador assume uma postura contraditória: ele diz que deixa a pessoa ir se for melhor para a saúde mental dela, mas ao mesmo tempo reconhece que foi ele quem causou o dano. “Poluí” aqui é metáfora para contaminar emocionalmente — promessas vazias, expectativas criadas e frustrações acumuladas. Não é só sobre mentir; é sobre criar um ambiente tóxico onde o amor vira confusão. Essa frase responde diretamente à pergunta “o que significa Isabela?”: significa reconhecer que amar mal também é ferir.

“Meu relógio não funciona, mas do que eu me lembro, eu sei a hora que tu quer ir embora”

Esse verso é extremamente simbólico. O “relógio que não funciona” representa a desorganização emocional dele — alguém que vive sem noção de tempo, consequência ou prioridade. Porém, mesmo nesse caos, ele sabe identificar o momento em que ela está prestes a desistir. Isso mostra sensibilidade, mas também manipulação: ele percebe o fim chegando, mas não necessariamente muda. É como assistir a um acidente em câmera lenta sem tentar frear.

“Eu não te dou atenção porque eu ‘tô fazendo dinheiro pra nossa próxima geração de filho”

Aqui temos uma justificativa clássica dentro do trap: o foco no dinheiro como prova de amor. Ele tenta transformar ausência emocional em responsabilidade futura. Só que existe uma incoerência — ele fala em “próxima geração de filho”, mas o relacionamento está claramente desmoronando. O verso critica (mesmo que inconscientemente) a mentalidade de que estabilidade financeira substitui presença afetiva. É o conflito entre prover e se conectar.

“O nosso filme, tem um final previsível / ler um livro repetido”

Essa metáfora é poderosa. Comparar o relacionamento a um filme com final previsível ou a um livro já lido mostra desgaste. Não há mais surpresa, descoberta ou crescimento. Eles já sabem como a história termina: briga, distância, reconciliação física e novo desgaste. Essa repetição é comum em relações tóxicas, onde o padrão é reconhecido mas não quebrado. É quase um vício emocional.

“Preferi mentir, baby, e só te machucar um pouco / Me fala, como isso é uma atitude de escroto?”

Aqui está um dos momentos mais sinceros da faixa. Ele admite que mentiu com a intenção de “machucar menos”, como se existisse uma versão ética da mentira. O conflito moral aparece: ele sabe que é errado, mas tenta racionalizar. A pergunta retórica revela consciência de culpa. Ele não é inconsciente — ele escolhe o caminho mais conveniente para si. Esse é o retrato da imaturidade emocional que atravessa o álbum inteiro.

“Fecha essa cortina, baby, que hoje é free day”

“Free day” funciona como símbolo de fuga. No contexto de dieta, é o dia de sair da regra. Aqui, representa o dia de ignorar consequências, compromissos e sentimentos. Fechar a cortina significa isolar o mundo exterior e viver apenas o prazer imediato — sexo, droga, vibe. É a repetição do ciclo: quando os problemas apertam, eles transformam tudo em intensidade física e escapismo.

Significado geral da música

“Isabela” é sobre reconhecer que você foi o problema — mas não necessariamente mudar. A música mostra um homem dividido entre ego e consciência. Ele entende que prometeu demais, mentiu, se ausentou e trocou profundidade por prazer momentâneo. Ainda assim, repete os mesmos padrões.

Se você busca “Isabela explicada”, a resposta está na culpa repetida no refrão. A personagem Isabela representa todas as relações que foram sabotadas pela imaturidade emocional, pelo foco excessivo em dinheiro e pelo uso do sexo como anestesia de conflitos.

No fim, a música não é uma declaração de amor. É quase um pedido de absolvição. Ele deixa ela ir “se for saudável”, mas o peso maior é saber que ele transformou algo que poderia ser genuíno em algo contaminado por promessas vazias. E isso fecha perfeitamente o conceito de ptqfa: amar fingindo, prometer sem sustentar e só perceber o estrago quando já é tarde.