Praia da Preguiça

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Praia da Preguiça

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“Praia da Preguiça” é uma música que mistura fé, vivência de rua e responsabilidade emocional. Klisman não canta ostentação vazia nem faz pose de vilão. A letra soa como um desabafo consciente de quem sobreviveu, mas não esqueceu o que viu pelo caminho. O nome da música contrasta com o conteúdo: não fala de descanso, e sim de luta constante, escolhas difíceis e da obrigação de mudar um destino que parecia traçado.

Desde os primeiros versos, fica claro que a música é menos sobre trap como moda e mais sobre trap como ferramenta de escape, proteção e missão pessoal. Klisman fala de Deus, família, amigos perdidos e da vontade real de transformar o lugar de onde veio.

“Deus é o colete à prova de balas, por isso que eu posso, eu consigo”

Esse verso é o alicerce da música. Klisman usa uma metáfora simples e forte: Deus como proteção real, não simbólica. O “colete à prova de balas” representa sobreviver onde muita gente cai, tanto no sentido literal da violência quanto no sentido psicológico da pressão, do ódio e das tentações. Quando ele diz “por isso que eu posso, eu consigo”, não é soberba, é convicção. A fé aqui não é promessa de vida fácil, mas coragem pra continuar andando mesmo exposto ao perigo. Deus não tira o risco, mas impede que o risco defina o final.

“Depois que eu perdoei meu pai, entendi que nessa vida eu sou mais do que filho”

Esse é um dos versos mais maduros da música. Klisman fala de perdão como libertação pessoal. Perdoar o pai não é esquecer erros, é parar de carregar um peso que trava a própria identidade. Quando ele diz que entendeu ser “mais do que filho”, ele fala de assumir o próprio papel no mundo, deixar de viver apenas como consequência da história familiar. Aqui, crescer não é só ganhar dinheiro ou fama, é quebrar ciclos emocionais que se repetem de geração em geração.

“Escuto os anjos me chamando, mas eu não posso abandonar a batalha”

Esse trecho mostra o conflito interno do artista. Os “anjos” podem ser interpretados como descanso, paz, até a ideia de desistir ou fugir de tudo. Mas Klisman deixa claro que ainda não é hora. A batalha representa a missão que ele sente que precisa cumprir: mudar sua realidade, honrar quem ficou, provar que dá pra sair vivo e lúcido. Não é glamourizar o sofrimento, é reconhecer que sair cedo demais seria abandonar quem ainda está no campo de guerra.

“Nunca mais vai ver minha mãe trampar… os amigos morrer no tráfico”

Aqui a música fica direta e dolorosa. Klisman estabelece metas que vão além dele mesmo. Não ver a mãe trabalhar é sinal de cuidado e retribuição, não de preguiça. Já a repetição sobre amigos mortos no tráfico ou nas drogas é um retrato cru da periferia. Ele não romantiza essas perdas, ele rejeita esse destino. O sonho de abrir uma gravadora no bairro mostra visão coletiva: não é só sair dali, é puxar outros junto.

“Eu sei que o trap tá na mão dos cara que só quer buceta”

Nesse trecho, Klisman critica a superficialidade de parte da cena. Ele aponta um trap esvaziado de propósito, focado só em prazer rápido e status. Quando fala de “rifa na casa da desgraça”, ele expõe a exploração, o oportunismo e a falta de responsabilidade de quem lucra sem se importar com consequências. A música se posiciona: Praia da Preguiça não é sobre isso.

Significado geral da música “Praia da Preguiça”

No geral, “Praia da Preguiça” é uma música sobre consciência. Klisman fala de fé como escudo, do perdão como amadurecimento e do sucesso como obrigação moral com quem ficou pra trás. Ele entende que vencer não é só enriquecer, mas impedir que a próxima geração precise escolher entre o crime, a droga ou o caixão.

A música fecha com uma mensagem clara: sobreviver já é um ato político, mas transformar a própria sobrevivência em oportunidade pros outros é o verdadeiro triunfo. Praia da Preguiça não é descanso — é o lugar onde a mente para, reflete e decide continuar lutando.