Medicina

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“Medicina”, de Teto e Wiu, é uma música que fala sobre cura, mas não no sentido tradicional. Aqui, não existe médico, terapia ou milagre espiritual. A cura vem do dinheiro, do progresso e da sensação de que nada do que foi vivido até aqui foi em vão. Lançada no álbum Colapso Global, a faixa funciona como um manifesto de sobrevivência: depois do caos, do corre e das perdas, os artistas mostram que transformar dor em resultado virou a única forma possível de seguir em frente.Desde o início, a música estabelece um clima reflexivo. Não é agressiva, nem eufórica. É um trap mais contido, quase contemplativo, onde Teto e Wiu revisitam o próprio caminho, reconhecem as ameaças ao redor e reforçam a ideia de que cada passo, mesmo os mais difíceis, teve um propósito.

“Minha nova medicina favorita tá sendo contar as notas”

Esse verso é o coração da música. Quando Wiu diz que sua nova medicina é contar as notas, ele deixa claro que o dinheiro virou a forma de aliviar a pressão mental causada por uma vida de escassez. “Medicina” aqui não é felicidade, é alívio. É a sensação de finalmente respirar depois de anos sobrevivendo no limite.

Contar dinheiro representa algo muito maior do que luxo ou ostentação. É a prova concreta de que o esforço deu resultado, de que o corre valeu a pena. Para quem veio de baixo, o dinheiro na mão significa segurança, autonomia e silêncio interno. É o remédio que não apaga o passado, mas impede que ele continue doendo da mesma forma.

Esse verso também carrega uma crítica implícita: num mundo onde nada é garantido, a estabilidade financeira acaba ocupando o lugar de qualquer outra forma de cuidado. Não é o ideal, mas é o que funciona para quem cresceu sem opções.

“Num piscar de olhos eu me encontro mais distante do agora”

Aqui, Teto e Wiu falam sobre a desconexão causada pela própria ascensão. O sucesso chega rápido, mas junto dele vem uma sensação estranha de deslocamento. Estar “distante do agora” não significa estar distraído, mas sim perceber que a vida mudou rápido demais, sem tempo para processar tudo.

A repetição de “a luz do aurora” e “valeu a demora” reforça a ideia de recompensa tardia. O amanhecer simboliza um novo ciclo, um momento em que finalmente dá pra enxergar resultado depois de tanto tempo no escuro. A demora foi dolorosa, mas necessária para formar quem eles são hoje.

Esse trecho mostra maturidade. Não existe euforia cega pelo sucesso, mas consciência de que toda conquista cobra um preço emocional. Crescer também significa se afastar de versões antigas de si mesmo.

“Separo o que é meu, o que eu passo eu busco e pago em cash”

Nesse verso, a mensagem é sobre independência e controle. Separar o que é seu é estabelecer limites, tanto financeiros quanto pessoais. Pagar “em cash” simboliza autonomia: não dever nada a ninguém, não depender de favores, não ficar preso a armadilhas.

Isso conversa diretamente com a realidade de quem veio da rua, onde depender dos outros muitas vezes significa risco. Ter o próprio dinheiro é ter voz, escolha e segurança. É também uma forma de proteger a própria identidade num ambiente onde todo mundo quer um pedaço do que você construiu.

O verso reforça uma ética pessoal: tudo que eles têm veio do próprio esforço. Não é herança, não é sorte, não é presente. É resultado direto do corre.

“Nada é em vão”

O refrão repetido funciona como um mantra. “Nada é em vão” é a frase que organiza toda a música. Ela transforma sofrimento em aprendizado e perda em construção. Cada erro, cada atraso, cada noite difícil passa a ter sentido quando se olha o caminho como um todo.

Essa repetição não é vazia. Ela soa como uma tentativa de convencer a si mesmo, não o ouvinte. É a afirmação que mantém a mente firme quando o passado pesa. No contexto do trap, essa frase ganha ainda mais força, porque dialoga com uma realidade onde desistir seria o caminho mais fácil.

“Nada é em vão” é, no fim, uma filosofia de sobrevivência.

Significado geral da música “Medicina”

No geral, “Medicina” é uma música sobre cura emocional através do progresso material. Teto e Wiu não romantizam o sofrimento, mas também não o negam. Eles mostram que, num ambiente hostil, a conquista financeira se torna uma forma de proteção psicológica.

A música não diz que o dinheiro resolve tudo, mas deixa claro que ele resolve o suficiente para seguir em frente. Cada verso reforça a ideia de que o caos moldou quem eles são, e que o sucesso não veio por acaso. No fim, “Medicina” é sobre transformar dor em estrutura, passado em combustível e caminhada em propósito.